Um pouco historia, que você já conhece antes de entrarmos na matéria própriamente dita.
O Império Bizantino foi uma divisão do Império Romano, sua capital em Bizancio mais tarde conhecida como Constantinopla ou Nova Roma. Durante o seu período de existência, o grande governante que teve em sua região foi Justiniano, um um imperador que oficializou o cristianismo, como uma maneira de facilitar seu governo.
O Cisma do Oriente é o nome dado à divisão da Igreja Católica, ocorrida em 1054, entre a Igreja chefiada pelo papa, em Roma, e a igreja chefiada pelo patriarca, em Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul). O Cisma foi o resultado de um constante distanciamento entre as práticas cristãs efetuadas pelas duas vertentes do catolicismo, além de representar uma disputa pelo poder político e econômico na região mediterrânica.
Em Roma, localizava-se o papa, exercendo no continente europeu a autoridade máxima, além da existência de duas outras autoridades com o mesmo poder, um patriarca em Alexandria, no Egito, e outro patriarca em Constantinopla. O patriarca de Alexandria perdeu sua importância após a anexação do Egito ao Império Muçulmano.A partir daí surgiria a Igreja Ortodoxa ou Igreja Católica do Oriente, com sede em Constantinopla, e a Igreja Católica Apostólica Romana, sediada em Roma.
A Oração de Jesus:
a mais importante oração da tradição bizantina.
«Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem
piedade de mim, pecador!»
ma das mais simples orações da Tradição Ortodoxa,
uma oração de poucas palavras e tão antiga quanto os Evangelhos, ocupa um lugar
destacado como a principal oração do Oriente Cristão: a Oração de Jesus,
também conhecida como a Oração incessante do Coração.
Encontramos sua origem nos Evangelhos, em passagens
como a da mulher Cananéia (Mt 15, 22), a dos cegos de Jericó (Mt 20, 30) e da
oração do publicano (Lc 18, 13). Em todas estas passagens, encontramos a petição
sincera por misericórdia, dirigida direta e confiantemente a Deus, tanto na
Pessoa do Pai quanto na do Filho.
A forma estabelecida da Oração tomou
por base o Nome de Jesus e a oração do publicano, pois o Nome de
Jesus é a oração por excelência, invocação de Deus, e «em nenhum outro [Nome]
há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os
homens, pelo qual devamos ser salvos» (At 4, 12); e, na oração do publicano
encontra-se a verdade da alma contrita, pecadora e humilhada, que busca
ardentemente a justificação perante Deus. Desta forma, teve início o
cumprimento do mandamento do Apóstolo, de "orar sem cessar" (1Ts 5,
17).
Nos tempos atuais a Oração de Jesus
encontrou sua popularização através do livro «Relatos de um peregrino
Russo» e da coletânea de textos patrísticos, intitulada «Filocalia» (ambos
da Editora Paulus).
O cordão de oração
ortodoxo: um instrumento vindo do céu.
Para que pudéssemos manter nossa vida
de oração nosso Pai celestial não negou auxílio.
A Tradição reza que o cordão de
oração vem das mãos de São Pacômio, discípulo de Santo Antão, no século III. A
preocupação de São Pacômio era auxiliar seus monges iletrados a manterem uma
vida de oração ativa sem a necessidade da leitura dos Salmos.
Decidiu então fazer uso da Oração de
Jesus para suprir a necessidade, resolveu fazer um cordão com nós para contar
as orações. Como o demônio desatava os nós que o Santo fazia, o anjo Gabriel
lhe ensinou um nó formado por sete cruzes intercaladas, o qual o demônio não
conseguiria desatar. Neste momento foi dado ao mundo o cordão de oração
Ortodoxo, denominado em russo CHOTKI..
Descrição
simbólica do cordão de oração.
Ao ter nas mãos um cordão de oração
ortodoxo, não temos apenas um instrumento sagrado para orações, mas,
igualmente, um objeto carregado de simbolismo teológico, o que o
torna um repositório de espiritualidade cristã.
O cordão de oração Ortodoxo é formado
por um número determinado de nós, com suas extremidades unidas em forma de cruz
e finalizado por uma franja. Independente do seu tamanho, sua função é recordar
ao orante a obrigação de orar permanentemente.
O cordão tem a cor negra.
Ele é negro porque simboliza luto e escuridão, os quais a humanidade
experimenta por causa de seus pecados. Lembra que nossos pecados perante Deus
nos afastam da Luz Verdadeira e somente através do verdadeiro arrependimento e
da oração constante nos reconciliamos com o Pai.
Os cordões de oração Ortodoxos são
feitos de lã. Lembra-nos que nossas orações são dirigidas ao
Cordeiro de Deus, imolado voluntariamente por nós, levando sobre si todos os
nossos pecados e purificando-nos com Sua Misericórdia. Recorda-nos também que
somos ovelhas guiadas pelo Bom Pastor, que não demora em deixar todo rebanho
para recuperar uma única ovelha que se perde; Ele é atraído pelo balido
desesperado da ovelha desgarrada, que é a oração.
Os separadores colocados entre cada
conjunto de nós recordam-nos o louvor necessário à Mãe de Deus, em união
paralela ao louvor do Seu Filho Jesus. O Espírito Santo, de Natureza Divina,
unido a Maria, de natureza humana, formaram Jesus, Deus feito homem, na união
perfeita do homem com Deus, que é objetivo da oração, meio de comunicação entre
o homem e Deus.
As duas extremidades do cordão de
oração Ortodoxo são unidas por um nó principal que fecha o
conjunto. Ele representa Aquele que disse: «Eu Sou o Alfa e o Omega, o
princípio e o fim» (Ap 21, 6). De Deus viemos e para Ele retomaremos.
A Cruz está também presente em nosso
cordão de oração Ortodoxo. Ela é a representação do Sacrifício voluntário de
Jesus e de Sua Vitória sobre a morte na manhã de Páscoa. Ela também nos lembra
do abandono às coisas deste mundo pela busca dos bens espirituais.
Por fim, encerrando o cordão de
oração ortodoxo encontramos uma franja. Ela representa a conseqüência
do encontro da oração com o coração daquele que ora: as lágrimas. A alegria
indizível proporcionada pelo conforto que a oração traz ao coração do orante o
perdão dos pecados, a escuta da Voz de Deus dizendo à alma «Teus
pecados estão perdoados», culmina no júbilo, no transbordar das lágrimas
enxugadas na franja do cordão de oração ortodoxo.
Assim conhecemos o nosso cordão de
oração Ortodoxo e o profundo simbolismo que ele encerra.